Batismo do Senhor – 13/01

CONTEXTO HISTÓRICO

Hoje nosso contexto histórico nos leva até João Batista, pregando e batizando no rio Jordão. Os judeus estavam impressionados com esse profeta que surgira em Israel: “João usava uma veste de pêlos de camelo e um cinto de couro na cintura. Sua comida eram gafanhotos e mel silvestre”, é o que nos conta o evangelista Mateus.

Há mais de 300 anos que os profetas haviam sumido da terra de Israel. O povo, certamente, já sentia falta deles e de suas palavras. Quando surge João Batista ele passa a ser admirado e respeitado. Muitas pessoas vão até o rio Jordão ouvir seus ensinamentos e terminam sendo batizadas por ele.

Hoje celebramos justamente o episódio em que também Jesus vai ao encontro de João Batista.

A FESTA

Jesus foi batizado por João, no Rio Jordão. Se ele não tinha pecados, qual a razão desse batismo? O próprio evangelista nos fornece um motivo em Mateus 3, 14-15: “João, porém, se opunha, dizendo: “Eu é que devo ser batizado por ti e tu vens a mim?” Jesus respondeu: “Deixa agora, pois convém que assim cumpramos toda a justiça”. Então João concordou.”

O que quer dizer cumprir toda a justiça? Examinando essa narrativa do Batismo, vemos que:

  • Jesus reconhece e atesta a missão de João Batista.
  • Jesus se torna solidário com todos nós, pecadores, colocando sobre si nossos pecados.
  • É Batismo de conversão, de arrependimento.
  • É paradigma para o batismo cristão.
  • É ato de humildade de Jesus, de esvaziamento de sua divindade para se assemelhar ao homem comum.

Batismo JesusCumprir toda a justiça é tornar justos os pecadores e, por isso e para isso, Jesus assumiu os pecados da humanidade. Era realmente um batismo de conversão.

No Batismo de Jesus ocorre a primeira manifestação pública do Cordeiro de Deus, do Messias anunciado pelos profetas. Jesus é o Filho amado do Pai, é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. Nessa manifestação se percebe a presença da Trindade: a voz do Pai, a descida do Espírito Santo, e a indicação do Filho. O céu se abre, o Espírito desce sobre o Filho, e o Pai fala que ele é seu Filho querido.

Por tudo isso, a Festa do Batismo do Senhor tem um significado muito profundo, desde os primeiros tempos de sua celebração: ela é Epifania do Senhor e Teofania da Trindade.

São Gregório, bispo de Antioquia, em uma homilia sobre o Batismo de Jesus, disse o seguinte: “Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado. Este é o que, sem se afastar do meu seio, ocupou também o seio de Maria; que permaneceu inseparavelmente em mim e nela se encontrou não circunscrito; que está indivisivelmente nos céus e também habitou nas entranhas da Virgem intacta. Não são dois filhos, um meu, outro de Maria, como não é um o que repousou no presépio e outro o que os Magos adoraram. Não é um o que foi batizado e outro o que não precisa de batismo. Sim, este é o meu Filho: o mesmo que é pensado pela mente e visto pelos olhos; o mesmo que é invisível e é visto por vós; eterno e temporal; o mesmo que me é consubstancial pela divindade e consubstancial a vós pela humanidade em tudo, exceto no pecado. Ele é o meu Mediador e o de seus servos, que sois vós; pois por si mesmo une a mim os que me ofenderam. Este é o meu Filho e o Cordeiro, sacerdote e vítima: o mesmo que oferece e é oferecido, que se faz vítima e recebe o sacrifício.”

ILUMINAÇÃO BÍBLICA EM NOSSA VIDA

É interessante perceber que o Batismo de Jesus foi seu primeiro gesto público e que, no finalzinho do evangelho de Mateus, fica registrada a última ordem e instrução de Jesus: que os apóstolos saim pelo mundo, convertendo as pessoas e batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Jesus inicia sua vida pública sendo batizado. Jesus quer que os apóstolos convertam e batizem para fazer com que todos nos tornemos discípulos do Mestre. É o que lemos em Mateus 28, 19-20: “Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Eis que eu estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”.

Esta é a missão de cada um de nós: evangelizar. Este é o sentido do batismo: sinal de Deus para um mundo que teima em não querer vê-lo. Hoje, quando celebramos a Festa do Batismo do Senhor, renovemos, cada um de nós, nosso compromisso missionário, para um mundo melhor, com mais amor, mais justiça, mais paz.

LITURGIA – 13/01/2013

O BATISMO DE JESUS

1ª. LEITURA – (Isaias 42,1-4.6-7):

Assim fala o Senhor: 1”Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

SALMO 28:

REFRÃO: Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e o poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento! R:

Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa! R:

Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre! R:

 

2ª. LEITURA – (Atos 10, 34-38):

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

EVANGELHO (Lucas 3,15-16.21-22)

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. 21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

REFLEXÃO:

TEMA: MEU BATISMO: CAMINHAR COM JESUS, COMPROMETIDO NA COMUNIDADE.

A celebração da festa do batismo de Jesus marca o fim do ciclo do Natal e o início da 1º. período do tempo comum. Batismo é inauguração de um tempo novo: foi para Jesus, deve ser para cada um de nós.

Sempre tivemos no mundo o reinado do poder, do dinheiro e da competição, um reinado sempre egoísta. Com o tempo novo trazido por Jesus chegou o reinado da alegria, da vida, do serviço, chegou o reinado da Eucaristia, do banquete para todos.

A liturgia nos leva ao livro de Isaias, ao capítulo 42, onde nos encontramos com a figura do servo sofredor. Ele não mede esforços, não rejeita sofrimentos, pois seu objetivo é fazer acontecer a vontade de Deus em nosso meio. Por isso sua imagem é associada a Jesus de Nazaré.

Ele surgiu no tempo em que o povo hebreu, cativo na Babilônia, ansiava por um tempo novo, com liberdade e para ser vivido na terra de Israel. Ele foi chamado para ser profeta no meio de seu povo, missão que será muito difícil. Isaias o apresenta em quatro cantos: vocação (42,1-4), missão (49,1-6), resistência (50,4-9) e martírio (52,13-53,12).

Sua missão foi animar, reunir e unir o povo. Por isso ele sofreu perseguições, mas obteve a vitória final. O texto de hoje é do primeiro canto, em que Deus o apresenta e fala de sua vocação. Escolhido por Deus, ele lutará para que a justiça de Deus se torne realidade na terra. Com ele, surgiu um tempo novo, alegre, feliz e pleno da presença de Deus. Um texto bastante apropriado para nos lembrar que o batismo precisa trazer vida nova para quem foi batizado, a vida nova de quem caminha com Jesus.

Na segunda leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, Pedro diz que Deus nos enviou boas novas através de Jesus e que ele as anunciou depois de ser batizado pelo Batista.

O evangelho de hoje conta que Jesus procurou João Batista e foi batizado por ele. E foi esse o acontecimento que deu início à missão pública de Jesus.

Simbolicamente, quem entrava na água para ser batizado era lavado de suas faltas, era purificado; quando saía das águas estava pronto para uma vida nova, mais digna, mais pura, mais santa. Assim Jesus, ao ser batizado por João Batista, mesmo sem ter culpas, quis dar provas de que era solidário com a raça humana em sua fraqueza. Além disso, quis fazer com que tal acontecimento fosse o passo inicial em sua jornada humana de anúncio de um novo tempo. Com Jesus chegou o reinado de Deus entre nós.

Esse novo tempo chegou com as bênçãos da Trindade: o Pai diz que Jesus é o Filho amado, sobre o qual o Espírito Santo desce em forma de pomba. A Palavra viva de Deus veio ser um de nós, veio morar conosco, veio falar nossa língua, veio abrir o caminho que nos conduz a Deus. E Jesus passou a caminhar conosco, à nossa frente, colocando-se como caminho, verdade e vida.

DESAFIOS:

A missão de Jesus agora é nossa: andar pelas estradas no meio do povo, testemunhando o modo de viver proposto por Jesus, batizando a quem desejar fazer essa jornada conosco.

Mas isso deve ser feito com alegria, com vida, com ardor missionário. E ninguém dá o que não tem. Sejamos, pois, cada vez mais entusiasmados com o projeto de Jesus: n ão basta ir a missas, é preciso comprometer-se com sua comunidade.

LITURGIA – 12/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 5, 14-21):

Caríssimos, 14esta é a confiança que temos no filho de Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. 15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido. 16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar.17Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o Maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos com o verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

SALMO 147:

REFRÃO: O Senhor ama seu povo, de verdade.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei! R:

Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes. R:

Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca. Eis a glória para todos os seus santos., R:

EVANGELHO (João 3, 22-30)

Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas. 24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”. 27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

REFLEXÃO:

Chegamos ao final da 1ª. Carta de João. Ele apresenta um resumo de seus ensinamentos, convidando-nos a viver coerentes com a vontade de Deus. As comunidades começavam a conviver com as primeiras heresias. João, orientando essas comunidades, fala de quatro certezas:

  • Confiança absoluta no seguimento de Jesus. É a certeza de que já possuímos o que pedimos ao Pai com essa confiança. Se temos a Deus, não precisamos de mais nada.
  • Somos todos pecadores mas, necessariamente,  não precisamos pecar. Aliás, há profunda incompatibilidade entre ser, ao mesmo tempo, pecador e filho de Deus.
  • O mundo pecador pertence ao maligno, mas nós pertencemos a Deus. Nada temos em comum com o maligno e suas maldades. É importante saber que “mundo”, para João é um termo que resume tudo o que nos afasta de Deus: coisas do mundo, coisas de Deus, coisas do alto, coisas de baixo. As pessoas de fé pertencem a Deus, não pertencem ao mundo. Somos de Deus, mesmo estando no mundo.
  • Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, fomos resgatados por Jesus para a eternidade. Pecamos com Adão e renascemos com Cristo no mistério da encarnação do Verbo de Deus. Devemos usar nossa inteligência, nosso discernimento e nossa vontade, na busca de opções corretas. E isso fará com que nossa alegria seja completa.

No evangelho de hoje, o mesmo João Evangelista registra as últimas palavras de João Batista em seu evangelho. O Batista, mais uma vez, declara que não é o Messias, e que veio com a missão de preparar o caminho e anunciar a presença de Jesus entre nós. E isso fez dele um homem feliz, pois ele compreendeu sua missão, e que lhe cabia trabalhar para que Jesus crescesse e ele, João Batista, diminuísse. Ele assumiu seus limites, seu tamanho, e isso fez dele um homem feliz e realizado. Ele descobriu que estava fazendo o que Deus esperava que ele fizesse, e na medida certa.

Os discípulos do Batista, no entanto, estavam com um pouco de ciúmes, pois Jesus e seus discípulos também batizavam e eles viam nisso uma “concorrência” com o Batista. E mais: enquanto a João “chegavam as pessoas e eram batizadas”, a Jesus, “todos vão a ele”.

Mas a alegria de João era completa porque, em sua consciência e em seu coração, João Batista sabia que “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu.”

O DESAFIO PARA HOJE ESTÁ EM DESCOBRIR O PRÓPRIO TAMANHO E VIVER COM ELE, FELIZ E REALIZADO, DESEMPENHANDO A MISSÃO RECEBIDA DO PRÓPRIO DEUS.

LITURGIA – 11/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 5, 5-13):

Caríssimos, 5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. 10Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.

SALMO 147:

REFRÃO: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou. R:

A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra e a palavra que ele diz corre veloz. R:

Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos, R:

EVANGELHO (Lucas 5, 12-16)

12Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, o homem caiu a seus pés, e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 13Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado”. E imediatamente, a lepra o deixou. 14E Jesus recomendou-lhe: “Não digas nada a ninguém. Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela purificação o prescrito por Moisés como prova de tua cura”. 15Não obstante, sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava à oração.

REFLEXÃO:

O João das cartas é o mesmo João do evangelho. Ele insiste muito no VER, PERMANECER e TESTEMUNHAR. Nos versículos 7 e 8 de hoje João apresenta três testemunhos sobre Jesus, o Filho de Deus: “7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes.”

Quem crê que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, este vence o mundo. Como prova são apresentados três testemunhos:

  • O testemunho da água no batismo, primeira manifestação pública de Jesus adulto. Com o batismo ele demonstrou que assumia o estar conosco, sendo um de nós.
  • O testemunho do sangue derramado na cruz. Nesta absurda demonstração de amor, Ele, que veio ser um de nós, nos convida a viver com Ele, em sua glória.
  • O testemunho do Espírito Santo, que se uniu a Jesus no batismo, o acompanhou durante seu trabalho messiânico, e, na cruz, é colocado por Jesus nas mãos do Pai, imediatamente antes de morrer.

Na cena evangélica um leproso se prostra e invoca, com fé, que seja curado, caso seja essa a vontade de Jesus. Ele sabe que Jesus tem o poder de curá-lo, mas não sabe se o que ele pede é o melhor. Deus vê o que é melhor considerando as consequências em todas as situações. O leproso, sabiamente, condiciona sua cura não ao poder, mas ao desejo de Deus. Felizmente, para ele, o desejo de Deus é que ele seja curado, por isso a cura acontece.

Além da cura física, Jesus quer para ele também a cura social. Ela era um homem excluído por causa da doença. Assim, Jesus diz a ele que se apresente ao sacerdote, o representante oficial que pode declará-lo curado e novamente incluído na sociedade.

As leis que incluem recebem a aprovação de Jesus; a lei que exclui Jesus não a obedece. Jesus “tocou” no leproso e, no entanto, ele poderia simplesmente tê-lo curado, mesmo sem o tocar. Pela lei da impureza Jesus se tornou impuro ao tocar o leproso. Tocar o leproso, para Jesus, foi gesto de acolhimento: ele o acolhia como pessoa, independentemente de ser leproso ou não. Perante a lei judaica, sua lepra era sinal de que ele era abandonado por Deus, não acolhido por Deus.

Vivemos um tempo novo, o tempo de Jesus, tempo em que leprosos e todos os outros “excluídos” injustamente são especialmente bem vindos.

Desafio para hoje será IDENTIFICAR AS SITUAÇÕES NA MINHA VIDA EM QUE, MESMO INVOLUNTARIAMENTE, CONTRIBUO PARA EXCLUIR E PARA INCLUIR PESSOAS.

LITURGIA – 10/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 4, 19-5,4):

Caríssimos, 19quanto a nós, amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. 20Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. 21E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão. 5,1Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém amará também aquele que dele nasceu. 2Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.

 

SALMO 71:

REFRÃO: As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres. R:

Há de livrá-los da violência e opressão, pois vale muito o sangue deles a seus olhos! Hão de rezar também por ele sem cessar, bendizê-lo e honrá-lo cada dia. R:

Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor! R:

 

EVANGELHO (Lucas 4, 14-22a)

Naquele tempo, 14Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura.
17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22aTodos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

 

REFLEXÃO:

A 1ª. Carta de João continua tendo o amar como tema. Hoje ele nos afirma que é mentira professar amor a Deus sem amar ao próximo. E amar a Deus significa obedecer a seus mandamentos.

Nos últimos dias refletimos sobre a volta de Jesus para a Galiléia, após a prisão de João Batista. Tendo caminhado com Marcos, a liturgia nos convida agora a continuar refletindo sobre o mesmo assunto, trazendo o pensamento do evangelista Lucas.

Nesse inicio da jornada evangelizadora de Jesus Lucas destaca nele a presença do Espírito Santo de Deus. O Espírito desce sobre ele no batismo, acompanha-o ao deserto e o tira de lá, e o assiste em Nazaré, Cafarnaum e por toda a Galiléia.

Na cena evangélica de hoje Jesus está celebrando na Sinagoga de Nazaré. Sua participação é decisiva: ele lê e interpreta o Livro Sagrado de Isaias (61,1-3):

    • O Espírito está sobre ele;
    • Ele vai anunciar a boa nova AOS POBRES;
    • Ele vai libertar os que estão cativos;
    • Ele vai recuperar a vista dos cegos;
    • Ele vai libertar os oprimidos;
    • Ele vai proclamar um ano da graça do Senhor.

 Lucas narra a reação do povo que o ouvia: com os olhos fixos em Jesus, ficaram “admirados com as palavras cheias de encanto que saiam de sua boca.”

Jesus cativava com sua fala, com seu olhar, toda a sua pessoa cativava porque ele era íntegro, um só no falar e no agir. Dele não saía falsidade. E Jesus se envolve com o povo, ele não fica parado, ele anda pelas cidades da Galiléia, desempenhando sua missão. O mundo anda cheio de pessoas com máscaras, que pregam e testemunham o contrário de sua fala.  Justamente de pessoas como Jesus o mundo precisa cada vez mais.

Quem são esses pobres, cativos, oprimidos e cegos aos quais Jesus se dirige? Você está nesse grupo de pessoas? Ou você está no time dos opressores?

Para hoje fica o desafio: ONDE NÃO EXISTE O TESTEMUNHO CRISTÃO, SEJA VOCÊ ESSE TESTEMUNHO.

LITURGIA – 09/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 4, 11-18):

11Caríssimos: se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado em nós. 13A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos testemunho, que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. 15Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele. 17Nisto se realiza plenamente o seu amor para conosco: em nós termos plena confiança no dia do julgamento, porque, tal como Jesus, nós somos neste mundo.18No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor.

SALMO 71:

REFRÃO: As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres. R:

Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo e de todas as nações hão de servi-lo. R:

Libertará o indigente que suplica e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará. R:

EVANGELHO (Marcos 6, 45-52)

Depois de saciar os cinco mil homens, 45Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. 46Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar. 47Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles. 49Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” 51Então subiu com eles na barca, e o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido.

REFLEXÃO:

A 1ª. Carta de João continua nos convidando a refletir sobre a beleza do amar. O versículo 18 é profundo: 18No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor.“

Na liturgia de ontem refletimos sobre a multiplicação dos pães. A generosidade e a partilha acontecem onde existe amor. Enquanto multidão, as pessoas não se amam. Por isso Jesus dividiu a multidão em grupos de pessoas, antes de abençoar o pão e dar início ao movimento de partilha. A gente ama pessoas, não tem como amar multidão. O amor acontece entre pessoas, de uma para a outra.

Possivelmente os discípulos tenham ficado desconcertados com a facilidade e a coragem com que Jesus alimentou as pessoas através da própria solidariedade humana. O fato é que Jesus resolve que ele mesmo irá despedir o povo, enviando-os de volta para casa. Ele começa mandando que seus discípulos retornem. Tendo despedido também o povo, Jesus se recolhe subindo ao monte para rezar. Como é significativo o gesto de Jesus: após realizar um grande feito, ele se recolhe para rezar!

Mas tem mais: hoje a liturgia ainda nos oferece a cena de Jesus caminhando sobre as águas e acalmando a tempestade que agitava o barco onde estavam seus discípulos. Nossas comunidades, muitas vezes, se sentem como um barquinho perdido no mar da vida, sem muita esperança de poder chegar ao porto. Jesus, então, “caminha sobre as ondas” como que nos dizendo que devemos estar acima de nossas dificuldades e sofrimentos, pois, acima de tudo, temos o poder divino cuidando dos filhos de Deus.

Em vista dessa situação de desespero, Marcos recolhe vários episódios que revelam como Jesus se fez presente no meio da comunidade. A partir do capítulo 4 Marcos nos traz diversas parábolas e diversos milagres relacionados com Jesus . Entre essas narrativas, outra situação de tempestade no mar, em que Jesus, ao invés de vir caminhando sobre as águas, fica dormindo no barco enquanto seus discípulos ficam apavorados com a possibilidade de naufragarem.

Marcos revelou o mistério do Reino e Jesus presente na vida da comunidade, motivo para que as comunidades não tenham medo de viver.

Quem é este homem? Esta pergunta percorre todo o Evangelho de Marcos e devemos também nós nos ocuparmos com ela. Precisamos conhecer e entender Jesus, pois disso dependerá nosso seguimento a ele. O que significa Jesus para nós? Mas ele sempre será maior do que nossa compreensão e ficará acima de nossos conceitos.

Os discípulos se sentiram apavorados ante a magnitude das ondas. Esta imagem representa a pequena comunidade cristã depois da morte de Jesus. Antes, junto dele, estavam corajosos. Agora, em meio a tantas adversidades da história, se aterrorizam e clamam por ajuda. Jesus acalma o temor e exige uma resposta de fé.

Esta imagem da barca abatida pelas ondas pode ser aplicada às comunidades cristãs. Em certos momentos da história se sentem poderosas, capazes de mudar o destino; contudo, ante a vastidão e a complexidade da história, a comunidade eclesial sobrevive mais pela graça de Deus do que pela pericia dos tripulantes.

A única tabua de salvação à qual a comunidade pode recorrer é a experiência do Ressuscitado, que exige a resposta de fé e fidelidade. A tripulação deve sobrepor-se, navegar até a outra margem e não ceder à tentação do pânico de querer retroceder.

LITURGIA – 08/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 4, 7-10):

Caríssimos: 7amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.

SALMO 71:

REFRÃO: Os reis de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres. R:

Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça! Este Rei defenderá os que são pobres, os filhos dos humildes salvará. R:

Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!  R:

EVANGELHO (Marcos 6, 34-44)

Naquele tempo, 34Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e já é tarde. 36Despede o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer”. 37Mas Jesus respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” 38Jesus perguntou: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes”. 39Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinquenta pessoas. 41Depois Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens.

REFLEXÃO:

Deus nos amou primeiro, nos diz hoje a 1ª. Carta de João. Se alguém não ama, é porque não conhece a Deus, não está no rebanho do Senhor.

No evangelho de hoje Marcos começa falando de pastor e de ovelha. São dois conceitos bastante arraigados na cultura judaica.

Temos o costume de valorizar coisas e pessoas em função de sua utilidade para nós. Para o povo da Bíblia a ovelha ocupava lugar de destaque porque era importante econômica e financeiramente. O pastor era bem visto por sua missão de cuidar das ovelhas, mas tinha má fama por sua condição de andarilho, hoje aqui, amanhã lá mais adiante, em busca de pasto para seu rebanho.

A carne da ovelha era usada como alimento, com a lã se teciam roupas bem quentinhas, da pele se faziam bolsas e sandálias. As ovelhas, por sua mansidão e beleza, eram admiradas e queridas. Era usual os pastores tratarem delas carinhosamente, conduzindo-as a lugares com boas pastagens, sombra e água fresca. Á noite eram colocadas em um redil, protegidas contra lobos e outros animais ferozes. Os que procediam assim eram considerados bons pastores. Mas havia também maus pastores, que não se preocupavam com suas ovelhas.

Na tradição antiga ovelha era alimento, vestimenta e animal para sacrifícios. Os povos mesopotâmicos passaram a ver as pessoas como ovelhas e consideravam o rei como o pastor que cuidava de seu povo. Na tradição de Israel, as pessoas também eram vistas como ovelhas, mas o pastor e dono das ovelhas era Deus. Sua experiência em ter os reis como pastores do povo não foram as melhores.

Chegamos assim ao tempo da cena evangélica de hoje: a novidade que Jesus trouxe foi de que o povo estava desamparado, vivendo como ovelhas sem pastor. Então ele se colocou como o verdadeiro bom pastor. E diz mais: bom pastor é aquele que, se for preciso, dá a vida para salvar suas ovelhas. E aí ele nos convida a nos amarmos uns aos outros do modo como ele nos amou. Isso faz com que cada um de nós seja, ao mesmo tempo, e dependendo das circunstâncias, ora ovelha, ora pastor.

Para coroar essa visão nova de ovelhas e pastores, Marcos narra a cena da multiplicação dos pães. Onde e quando todos se irmanizam comunitariamente, ninguém passa fome e todos podem se saciar. Quando nos unimos em torno de Jesus, confiantes nas graças de Deus e dispostos a cuidarmos uns dos outros, é porque o Reino de Deus fixou morada em nosso coração.

CAMINHANDO COM ABRAÃO

CAMINHANDO COM ABRAÃO( [1] )

Vocês já pararam para pensar que houve um tempo em que eu era a única pessoa neste mundão de meu Deus que acreditava nele, no Senhor? Pois é isso mesmo. Naquela época o normal era adorar muitos deuses. Mas isso aconteceu há muito tempo, quando eu não era mais novo, mas também não era tão velho como hoje. Isso foi lá pelos anos 1800 antes de Cristo, tempo em que a gente ainda nem sonhava com o Messias.

Nesse tempo eu já andava de um lado para o outro acompanhando meu pai Taré. Éramos uma espécie de gente como a que vocês conhecem hoje por “ciganos”. Aí, o Senhor entendeu que era chegado o tempo de se manifestar mais diretamente a algumas pessoas. Nas muitas histórias que tenho para contar, essa é uma que nem eu entendi direito: porque ele escolheu justamente minha família, um povo meio doido, que vivia andando pelo mundo. Na minha cabeça, parece que o Senhor gosta das pessoas que não param, que vivem se movimentando. Afinal, depois de tanto tempo, e até depois da vinda do Messias, o Senhor continua sendo um tremendo mistério!

Estou até meio perdido! Ah! Eu falava do primeiro chamado que recebi, em uma dessas nossas idas e vindas nas regiões de Ur, na Caldéia. Eu nem suspeitei imediatamente que o Senhor iria me pedir deslocamentos ainda mais profundos, que fariam com que nossas caminhadas mesopotâmicas feitas até então fossem consideradas apenas piqueniques. Neste momento começava minha grande gestação da experiência divina. Aliás, essas experiências vão se acumulando, pois o Senhor gosta de nos chamar, periodicamente, para deslocamentos, como vocês gostam de dizer hoje, “chamando para águas mais profundas”.

Talvez isso possa ter acontecido também com você: de repente você sente que deve tomar uma atitude, por mais absurda que possa parecer. Para ser sincero mesmo, nem me passou pela cabeça algum tipo de maluquice. Foi ele me dizer isso e eu me preparar para caminhar. É meio maluco: O SENHOR DIZ “VEM” E, NA VERDADE, ELE ESTÁ DIZENDO “VAI”. AO MESMO TEMPO EM QUE VOCÊ SE SENTE PERTO DELE, OUVINDO O CHAMADO, VOCÊ SENTE QUE ELE TAMBÉM ESTÁ LÁ LONGE, ESPERANDO POR VOCÊ. Hoje, tantos anos depois, e após outras experiências de despojamento e entrega, posso dizer para vocês, com confiança e autoridade: QUANDO PERMITIMOS QUE O CHAMADO DO SENHOR CHEGUE BEM FUNDO EM NOSSO CORAÇAO, SENTIMOS UM DESEJO IRRESISTÍVEL DE PARTIR, E O FAZEMOS COM A SENSAÇÃO DE QUE ELE ESTÁ LÁ, ESPERANDO E TORCENDO POR NOSSA CHEGADA. Olha, é difícil resistir a um chamado assim.

Eu era macaco velho nessas caminhadas, estava acostumado a andar, pois era questão de sobrevivência: novos pontos de venda e troca, novas aguadas e pastagens para os animais, fugindo de guerras e brigas … Mas as palavras desse primeiro chamado nunca mais saíram de meus ouvidos. Foi algo diferente, especial, que mudou a história de minha vida e, como conseqüência, a história de muita gente. Vocês já pararam para pensar que, mesmo querendo, a gente não consegue viver sozinho, absolutamente isolado?

Hoje, lançando o olhar lá longe, para os primeiros dias dessa caminhada diferente, me lembro das escolhas que tive de fazer:

  1. Sair da casa de meus pais, com seu aconchego, com sua segurança. AFINAL, ENTREGA É DESPOJAMENTO.
  2. Ir para longe de um lugar onde eu era conhecido e, principalmente, era respeitado. Isso significou que Deus queria que eu me livrasse de mim mesmo, para ser inteiramente a missão que eu iria desempenhar. Claro que fui perceber isso muito tempo depois.
  3. Abandonar minhas certezas e também a fé própria do meu povo, o que a gente pensava sobre os deuses.

 PARA PARTIR PRECISAMOS SOLTAR AS AMARRAS. Cada pessoa sabe onde está amarrada, onde precisa desatar os nós, para então atender ao apelo “vem para partir” feito por Deus.

Bom, e lá fui eu para um lugar que eu não sabia onde ficava. No chamado o Senhor dissera que me mostraria o lugar. E somente partindo, para começar a desvendar o mistério. Aos poucos o caminho foi se iluminando e, de repente, entendi o que eu já sabia: EU ESTAVA CAMINHANDO PARA ME ENCONTRAR COM O PRÓPRIO SENHOR.

Algumas centenas de anos depois vi isso acontecendo com Moisés. A sarça ardia sem se consumir e ele, lá, com cara de bobo. Aí o Senhor falou daquela forma que eu já conhecia: vem e vai tirar seu povo da escravidão do Egito. Eu, no meu canto, já percebera tudo; Moisés ainda teria que caminhar um deserto inteiro até entender esses chamados misteriosos do Senhor. Cá estou eu misturando as coisas de novo! Um dia ainda aprendo com o Senhor a ser mais objetivo! Afinal, vocês talvez não acreditem, mas, agora que senti o gostinho da eternidade, me sinto um jovenzinho!

Mas voltemos à minha primeira caminhada de fé, quando o tempo ainda me impunha limites. Depois que comecei a caminhar, pintaram algumas dúvidas do tipo:

  1. “Como fazer de mim um grande povo, se eu era velho e Sara, minha esposa, era estéril?”
  2. “Depois de tantos anos de estrada, será que eu iria morrer justamente na estrada?”
  3. “Para onde mesmo eu estava caminhando?”

Aliás, essa pequena possibilidade de eu gerar um filho me renovara o ânimo, eu nem sabia bem por que. Mas que eu ficava matutando como, lá isso eu ficava! Mas, aos poucos, uma leve esperança brotara em meu coração. E QUANDO MINHA FÉ BALANÇAVA, ESSA ESPERANÇA ME DIZIA QUE CONTINUASSE CAMINHANDO. Eu me percebia caminhando entre o risco e o medo, mas eu continuava caminhando.

Um dia meu sobrinho Lot resolveu seguir seu próprio caminho. Também esse dia foi marcante em minha jornada. Foi triste a manhã, por causa da decisão dele, mas o Senhor, talvez solidário com minha tristeza, me chamou e disse:

“Levanta os olhos e, do lugar onde estás, contempla o norte e o sul, o oriente e o ocidente. Toda essa terra que vês, darei a ti e à tua descendência para sempre. Tornarei tua descendência como a poeira do chão. Se alguém pudesse contar a poeira do chão, contaria também tua descendência. Levanta-te e percorre este país de ponta a ponta. Será a ti que o darei” ([2])

Foi uma bênção do Senhor essa promessa. E bênção é coisa séria! Não é à toa que ela veio Dele! Vejo hoje que essa bênção foi outro grande sinal do Senhor em minha vida. Naquela época fiquei muito feliz, mesmo porque foi uma tremenda massagem em meu ego. Levei dias assimilando essas palavras. Finalmente consegui perceber que o Senhor estava sendo um Pai para mim, que ele me adotara como seu filho. Hoje sei que ele quer fazer assim com todo mundo, mas muitos não chegam nem a perceber isso, tão atarefados estão na vida. Mas nessa época eu já aprendera a escutar as sábias palavras divinas!

Essa promessa o Senhor a vem repetindo no passar dos séculos e dos milênios. Mas a humanidade teima em continuar surda, com muita dificuldade para assimilar a mensagem. Vocês todos são filhos dessa promessa, por isso fico aqui, eu, o pai Abraão, querendo ensinar a vocês lições que a vida me ensinou. De geração em geração o Senhor os convida para viverem seu Reino. Chegou ao ponto de tomar forma humana para sentir na pele a nossas dificuldades. Quando ele me falou isso, para mim foi o maior susto. Como? O Senhor vai se enfurnar no meio desse povão de cabeça dura? Vê lá o que o Senhor vai aprontar! UMA COISA É FICAR SE COMUNICANDO COM SINAIS, COM MENSAGENS, COM REVELAÇÕES. OUTRA BEM DIFERENTE É SE METER NO MEIO DELES, CONVIVER COM ELES, COM SUAS DIFICULDADES E COM SUAS REALIZAÇÕES!

E Ele acabou mesmo se encarnando e, cá para nós, ele se deu muito bem! Afinal, depois eu percebi por que: O SENHOR SEMPRE ESTIVERA NO MEIO DO SEU POVO, A ENCARNAÇÃO FOI POR LIMITAÇÃO NOSSA, NÃO DELE. Olhando para suas palavras na Promessa, descobri que ele transita de um mundo a outro com extrema facilidade. Ele consegue ver em um filho todas as estrelas do céu e todo o pó da terra. Eu não conseguia ver isso naquela época, mas hoje, olhando para essa multidão de filhos, constato que ele sabia direitinho o que estava prometendo. AO MESMO TEMPO EM QUE O SENHOR ME APONTAVA AS ESTRELAS, ELE ME PROMETIA UM FILHO, PARA ME DIZER QUE EU DEVERIA PENSAR GRANDE QUANDO SE TRATASSE DO PROJETO DELE, MAS TAMBÉM QUE EU PRECISAVA VIVER O DIA A DIA CONCRETO DE MINHA SIMPLICIDADE PESSOAL. OLHOS NO CÉU, MAS PÉS NA TERRA, EIS A REGRA. Deus nos encaminha em meio a projetos, esforços, expectativas, generosidades e muita coisa mais.

Contudo, em alguns momentos da caminhada eu tive a sensação de que o Senhor se afastara de mim. Cá prá nós: houve momentos em que fui verdadeiro mala! Querendo um monte de coisas, fazendo exigências, reclamando, perdendo a paciência! Eu ainda não tinha formado em minha consciência a grandiosidade do chamado de Deus em minha vida. HOJE, LANÇANDO MEUS OLHOS AO TEMPO, PERCEBO QUE, QUANDO ME CHAMOU, DEUS NÃO FIZERA UM PROJETO SÓ PARA MIM, MAS PARA TODO UM POVO. AOS POUCOS FUI APRENDENDO A VER A IMPORTÂNCIA DAS OUTRAS PESSOAS EM MEU PROJETO DE VIDA E A MINHA IMPORTÂNCIA NO PROJETO DE VIDA DAS DEMAIS PESSOAS.

A promessa que eu recebi se multiplicou, ou melhor, “se MILtiplicou”. Isso foi atestado pelo evangelista Marcos, que lembrou as seguintes palavras do Messias: ““Eu vos asseguro: ninguém que deixou casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e do Evangelho, deixará de receber já no tempo presente cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras no meio de perseguições, e no mundo vindouro, a vida eterna.” ([3]) Hoje sou testemunha dessa grande verdade,  pois aconteceu comigo.

Além de filhos o Senhor me prometera terras. COMO QUE O SENHOR SEMPRE VAI NO PONTO CERTO: TERRAS PARA UM NÔMADE E FILHO PARA UM CASAL ESTÉRIL. Enquanto caminhava eu ia construindo altares, celebrando encontros, marcando presença: Siquém, Betel, Mamrê, Beer-Sheba. A fé já se incorporara a minha vida, aliada à esperança de cumprimento da promessa. E, interessante, tendo aumentado minha fé e alimentado minha esperança, eu aprendera esse modo de ser do Senhor, voltado para as pessoas. Eu estava aprendendo a amar. Mais do que tudo, a sede que passei a sentir foi sede do Senhor, de estar junto dele. O que ele me prometera já não fazia diferença para mim. Ele me bastava. Mas, claro, eu não disse isso para ele, para não causar mágoas. SÓ MUITO MAIS TARDE FUI PERCEBER QUE ELE QUIS ME ENSINAR QUE QUANDO NÃO QUEREMOS NADA PASSAMOS A SER DONOS DE TUDO.

Ele me prometera uma terra apenas para me fazer caminhar para ele, que sempre esteve aqui, ali e acolá. No momento em que efetivamente me deixei encontrar com ele, a terra passara a ter outro sentido. Eu já conquistara, passo a passo, toda a terra necessária. Agora me bastava um lugar qualquer, pois efetivamente eu caminhara pela terra prometida, plantando e colhendo fé, esperança e amor. EU ME TORNARA CIDADÃO DO MUNDO, FILHO DE DEUS, IRMÃO DE TODOS.

Eu já lhes contei sobre os altares que fui construindo ao longo de minha caminhada. Eles foram importantes porque me prepararam para celebrar a vida. SE NO INICIO MINHAS CELEBRAÇÕES ERAM VAZIAS, AOS POUCOS ELAS FORAM CRESCENDO PORQUE APRENDI A FAZER DA CELEBRAÇÃO UMA OPORTUNIDADE PARA AGRADECER PELA EXPERIÊNCIA DA PRÓPRIA VIDA. E quanto mais experimentamos a fé, mais se aprofunda nossa celebração religiosa, pois deixamos de nos apegar a rubricas e fórmulas para colocar toda a força da nossa vida.

Vejo hoje as Igrejas se esvaziando. ANTES DE CELEBRAR É BOM EXPERIMENTAR DEUS NA VIDA. Há pouca espontaneidade porque há muito pouco para se celebrar. Deus hoje está tão pouco presente nos dias comuns das pessoas! Fico tentando imaginar porque todo aquele vigor que o Senhor me passou não está chegando aos corações de hoje! Isso me dá tristeza, mas, por outro lado, lembro-me também de todo o itinerário de fé que tive de percorrer para que vocês me chamem hoje carinhosamente de pai Abraão. Olhem, o que a gente celebra em uma Igreja tem que ser continuidade das celebrações que começaram em casa, nas famílias. A TODO INSTANTE CONVÉM NOS QUESTIONARMOS SOBRE NOSSA PRÁTICA RELIGIOSA, SOBRE A SINCERIDADE DE NOSSOS GESTOS E PALAVRAS. SE TIVER ALGUMA COISA FALSA, ELA NÃO SE MANTÉM E AINDA ATRAPALHA.

Bom, o fato é que o Senhor sempre cumpre suas promessas. Um dia nasceu Ismael, pai dos Ismaelitas. Alguns podem ficar questionando porque eu, já velho, fui gerar um filho junto com Agar, escrava de minha mulher. Era esse o costume naquela época: uma senhora sem possibilidade de gerar filhos oferecia sua escrava ao marido para que gerassem um filho para ela. Foi o que fez minha esposa Sara com sua escrava Agar.

Confesso que achei o máximo, pois, afinal, eu passara a ter um filho. E fiquei muito triste quando as duas começaram a viver às turras, obrigando-me a mandar Agar embora. Puxa, para mim foi um momento de grande aflição: separar-me do filho que eu tanto desejara! Acabei compreendendo as atitudes de Sara. Minha fé já era suficiente para saber que o Senhor reservara outros projetos para Agar e nosso filho Ismael. Eu já sabia que eles tinham tudo o que precisavam para viver e sobreviver: tinham o Senhor junto deles, e isso é o que bastava e o que realmente importava. Além disso, fui perceber mais tarde, o Senhor continuava forjando minha fé. Aquele filho foi uma grande alegria em minha vida, mas o Senhor fez muito mais. Eu pensava que a promessa dele se cumprira: afinal eu tinha terras e um filho, mesmo que meu filho agora estivesse longe. O Senhor quis me mostrar que vale a pena ter fé nele. Ele me reservara mais algumas surpresas.

Nesse tempo eu já estava muito, muito idoso. Agora, em lugar de uma vastidão de terras, me bastava a sombra de um carvalho no Vale de Mamrê. Apresento a vocês outro lugar importante na minha vida. Aí aconteceu outro encontro especial com o Senhor, ocasião em que ele me disse: “Onde está Sara, tua mulher?”–“Está na tenda”. Voltarei a ti no ano que vem por este tempo e Sara, tua mulher, já terá um filho”. ([4])

Sara chegou mesmo a rir dessa fala e eu tive que fazer força para também não rir. Sara já assimilara sua condição de esterilidade. Ela sofrera muito, mas … Afinal, estávamos muito velhos. Mas eu ainda tinha muito o que aprender sobre o Senhor!

E assim, um ano depois, Sara deu à luz a nosso filho Isaac. O coração do velho Abraão nem batia mais, pois vivia disparado de alegria, felicidade e realização. MINHA FÉ NO SENHOR ULTRAPASSARA TODOS OS LIMITES. AGORA, TUDO AQUILO QUE PARA MIM ERA FÉ EU JÁ VIA COMO UMA CERTEZA CRISTALINA! NÃO HÁ NINGUÉM COMO O SENHOR!

E aí, outro momento terrível. O Senhor me pediu o sacrifício de Isaac. Foi a minha fé absoluta em meu Senhor que me levou ao gesto supremo de aceitar sacrificar meu filho. Sei que até hoje muitos repreendem esse meu gesto. MAS OS GESTOS EXTREMOS DE FÉ NENHUMA RAZÃO HUMANA CONSEGUE EXPLICAR. Eu fui mesmo disposto a “acender a fogueira do holocausto”, apesar de toda a dor que naquele momento me invadia o coração. E, pior, eu estava sozinho, sem uma pessoa sequer com quem dividir minha angústia, meu sofrimento, meu supremo gesto de fé. Olhando novamente para a vastidão dos tempos, sinto que até o vento se escondera para não presenciar a cena! Oh! Monte Moriá, apenas você, na sua quietude, pode presenciar meu sofrimento! Talvez em seu chão ainda estejam as lágrimas que fui deixando pelo caminho, enquanto subia carregando meu filho Isaac para o sacrifício.

Meus queridos descendentes: saibam compreender o aparente abandono e silêncio de Deus em suas vidas, caso isso venha a ocorrer. Pode ser que algum de vocês sinta isso em uma doença, em uma experiência de fracasso, de perturbação ou de angústia. Nesses momentos reúna suas últimas forças e lute para manter sua fé. VOCÊS ME OLHAM COMO PAI DA FÉ. VEJAM ISAAC COMO PREFIGURAÇAO DE TODAS AS ASPIRAÇÕES DE UMA VIDA QUE DEVE SER ABANDONADA POR CAUSA DO REINO. DEUS PODE UM DIA LHE PEDIR QUE SACRIFIQUE TUDO AQUILO EM QUE VOCÊ APOSTOU DURANTE TODA UMA VIDA. SE FOR ESTE O CASO, SACRIFIQUE. PALAVRA DE ABRAÃO: SE VOCE TIVER QUE SACRIFICAR TODA A SUA VIDA POR CAUSA DO SENHOR, FAÇA-O, E VOCÊ VERÁ QUE VALE A PENA!

O resto da história você já conhece também. Defronte de Mamrê, no campo de Efron, em Makpelá, enterrei minha esposa Sara. Ela terminara sua missão na terra. Fora minha companheira de fé e de jornada. A PLENITUDE QUE VIVEMOS EM VIDA DEVE NOS ALIMENTAR NO MOMENTO DA MORTE. Lembram-se do que lhes disse antes sobre colocar a vida na celebração? Pois bem, também devemos celebrar a morte da mesma forma: com a nossa vida, alimentada pela fé e pela esperança.

E agora, para terminar, faço minhas as palavras do autor do Gênesis: “Estes são os anos de vida de Abraão: viveu 175 anos e expirou. Morreu numa feliz velhice, idoso e cumulado de anos, e foi reunir-se a seus antepassados.” ([5])

 

 NOTA: REFLEXÃO FEITA COM BASE NO  LIVRO:

 NOS PASSOS DE ABRAÃO
Pierre Brunette
PAULINAS

 


 

[1] Pensamento básico: “Nos passos de Abraão” – Brunette – Pierre – Paulinas

[2] Gênesis 13, 14-17

[3] Marcos 10, 29-30

[4] Gênesis 18, 9-10

[5] Gênesis 25, 7-8

LITURGIA – 07/01/2013

1ª. LEITURA – (1 João 3, 22 – 4, 6):

Caríssimos: 22qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. 4Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o Anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

SALMO 2:

REFRÃO: Eu te darei por tua herança os povos todos.

O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és o meu Filho, e eu hoje te gerei”! R:

Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. R:

E agora, poderosos, en­tendei; soberanos, aprendei esta lição: Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito! R:

EVANGELHO (Mateus 4, 12-17, 23-25)

Naquele tempo, 12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Na­zaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: ende­mo­ni­nhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.

REFLEXÃO:

  1. A primeira leitura nos fala do pensamento de João: seguir o mandamento de Deus facilita o recebimento de graças divinas. E isso é lógico, sem precisar beber nas fontes da teologia da retribuição. Na verdade, quem segue o mandamento de Deus vai conformando sua vontade ao projeto do criador. Isso implica em fazer orações apropriadas, pois também as aspirações do orante vão se aproximando da justiça divina.
  2. A janela bíblica de hoje é o capítulo 4 de Mateus. Ela nos leva das margens do Jordão, após o batismo de Jesus, para a região norte, nas terras de Zabulon e Neftali, que ligam Egito e Mesopotâmia. O ano é por volta de 740 a.C., quando os Reinos de Judá e de Israel lutavam contra o exército da Assíria.
  3.  Isaias diz que o povo naquele momento vivia em grande treva, a escuridão da guerra e da opressão. Mas o reino de Judá verá uma grande luz. Ele anuncia novos tempos, com o nascimento de um menino que se tornará grande chefe. Ele estava falando de Ezequias, filho do rei Acaz, que se tornou um rei sábio, levando luz e paz para a região. Em 720 a Samaria foi tomada pelos Assirios, mas o Reino de Judá continuou de pé, já sob o comando de Ezequias. Jerusalém tombará bem mais tarde, em 587, diante do exército babilônico.
  4. Mateus fez essa mesma leitura em perspectiva messiânica, associando-a à chegada de Jesus, a verdadeira luz do mundo. Mateus e outros discípulos foram chamados por Jesus em Cafarnaum. Lá brilhou para eles essa luz, lá eles se converteram para viver uma vida nova. Certamente foi marcante para Mateus se lembrar dessa fase de sua vida ao decidir colocá-la aqui, convidando outras pessoas à conversão através do seguimento de Jesus.
  5. A conformação da vida ao projeto de Deus se aprende caminhando com Jesus. Ser batizado significa assumir o caminhar na luz de Deus. Esse caminhar recebe algumas pistas na página evangélica de hoje:
  6. ATENÇÃO AO QUE ACONTECE À VOLTA, POIS ATRAVÉS DOS ACONTECIMENTOS DEUS NOS FALA. Quando ficou sabendo que João Batista fora preso, Jesus saiu da Judéia e voltou para a Galiléia, indo morar em Cafarnaum, dando tempo para a poeira da perseguição baixar.
  7. DEUS NÃO PRECISA, MAS QUER CONTAR COM NOSSO ESFORÇO. Na Galiléia ele andou por toda a região, fazendo o que sua consciência lhe mostrava como vontade do Pai. Ele atuou em três frentes de trabalho:
    • ENSINAVA NAS SINAGOGAS
    • PREGAVA O EVANGELHO DO REINO
    • CURAVA TODO TIPO DE DOENÇA E ENFERMIDADE.
  8. O Reino anunciado por Jesus é portador de vida, mesmo que, paradoxalmente, o Mestre tenha precisado morrer para nos dar a oportunidade de abraçar a verdadeira vida.

RELAÇÃO OVELHA PASTOR

  1. Ao longo da saga hebraica as figuras da ovelha e do bom pastor ocuparam lugar de destaque na cultura popular. A Bíblia contém registros que associam o povo de Deus a um rebanho de ovelhas, que sonhava ser conduzido por um bom pastor. Deus era visto como o verdadeiro bom pastor. Mas necessitando da presença física do pastor, o povo pensou em transferir essa figura para a pessoa do rei. E com isso amargou grandes decepções, pela má conduta de seus reis. Veio Jesus e se ligou a essa imagem, mas introduzindo um elemento inteiramente novo: bom pastor é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas.
  2. Ao celebrarmos a Páscoa de Jesus, ou seja, sua passagem por entre nós, constatamos que, ao ressuscitar, ele abriu para nós as portas da vida eterna, colocando-se como o caminho, a verdade e a vida. Mas como seguir Jesus?
  3. Primeiramente distinguindo-o pela voz. Ela é diferente da voz de alguns homens públicos que nos enganam com falsas promessas, pois estão empenhados em defender interesses próprios, garantindo cargos e mordomias com trapaças e negociatas vergonhosas. Mas, além de homens públicos, há outros grupos de maus pastores em templos religiosos, em hospitais e clínicas, em empresas corruptas e gananciosas, etc, etc. Precisamos aprender a distinguir bons pastores de maus pastores.
  4. Precisa ficar claro que Jesus mostrou o caminho a ser seguido: é o dos pobres e dos pequenos, mas com o detalhe de que todos, inclusive os ricos, podem andar por ele. O caminho é a comunidade dos cristãos, onde o individualismo não deve operar. Infelizmente muitas pessoas não estão mais buscando nas Igrejas a fonte para sua visão de mundo.
  5. Ninguém nasce programado para saber e escolher sempre o que é melhor. As virtudes envolvem emoções, requerem prática para que se tornem hábitos de vida. Colocar uma virtude no coração exige sentimentos fortes, compromisso afetivo e efetivo com ela. Mesmo com todos os nossos dons naturais é importante refletir que Deus deseja que sejamos santos como ele. Ser santo significa principalmente reconhecer que dependemos profundamente da ajuda divina. Precisamos aprender a amar como ele, para vivermos e convivermos com as pessoas na busca do bem comunitário, e não de acordo com uma visão distorcida e egoísta.
  6. Além de virtudes, a vida nos pede decisões. Nessas horas a prudência ajuda nas escolhas. Ninguém é absolutamente competente em tudo. As pessoas, ao escolherem uma profissão, definem as necessidades humanas com as quais pretendem trabalhar. Atender a tais necessidades contribui para o bem-estar pessoal e da sociedade. Por isso a sociedade “paga” a quem atende seus anseios. Da Igreja e de seus ministros se espera que ajudem o povo na sua busca de Deus e na sua consciência de unidade. Assim, antes de ser profissão, o trabalho pastoral é missão, exigindo que os pastores subordinem seus próprios interesses à expectativa dos que procuram o serviço pastoral. Mas o interessante é que essa postura não torna os ministros menos susceptíveis de crítica quanto aos resultados, com questionamentos ainda mais acentuados do ponto de vista moral.
  7. A formação do caráter de uma pessoa é fundamental. A matéria prima disponível para tal trabalho são nossas inclinações naturais, que podem ser direcionadas para o bem ou para o mal. O caráter será resultado de hábitos experimentados no meio em que vivemos, fruto de crenças, ideais e exemplos de pessoas significativas. O egoísta não vê o mundo como ele é, mas na forma como ele deve satisfazer suas necessidades pessoais.
  8. Nesse contexto, qual tem sido minha posição como ovelha e como pastor?
    • Tenho consciência de que sou ovelha em alguns momentos e pastor em outros? Como ovelha sou dócil às manifestações de meus pastores? Como pastor, sou consciente de minhas responsabilidades na família, no ambiente de trabalho e na comunidade?
    • Tenho tido o cuidado de agir sabendo que não sou deus, colocando apenas em mim todo o sentido do meu viver?
    • Minha fé tem sentido comunitário? Ou amo de forma selecionada, escolhendo algumas pessoas para amar? Amo apenas a esses poucos, sem perceber que esse modo de amar pode estar custando o sacrifício ou até mesmo a vida de muitos outros?
    • Minha fé passou a ser subjetiva, aceitando apenas o que está de acordo com o meu gosto e minha conveniência?
    • Minha fé é apenas terapia, que procuro nos momentos difíceis? Ou vivo minha religião consciente de que preciso dela para me ligar a Deus, através de uma relação de amor com as pessoas?