Santa Pelágia – 08/10

CONTEXTO HISTÓRICO

Anos 400 a 450: eis nosso contexto histórico de hoje. No Oriente a cristianização está praticamente completa. Há divisões motivadas por heresias. Há muitas orações, muitas celebrações litúrgicas, ornamentos e cânticos litúrgicos.

Surgiu também, no Oriente e nesta época, o monaquismo. Os monges se estabeleceram em diversas regiões desérticas. Pessoas surgiram para viver em regiões próximas a esses ascetas. Construiram-se mosteiros e é neles que as comunidades cristãs foram buscar seus bispos.

Nesse contexto vamos encontrar nossa santa de hoje: Santa Pelágia.

A SANTA

PelagiaOriginária da Antioquia, Turquia, Santa Pelágia viveu no século III. Era uma bailarina muito bonita, que escandalizava por suas festas, danças e vestimentas. Tornou-se, pois, muita conhecida em sua terra.

Durante uma procissão, sua presença foi notada pelo bispo Nono. Em seu sermão, ele disse para a multidão que, se uma mulher se vestia de maneira tão rica e atraente para cativar simples mortais, muito mais e com maior razão deveríamos vestir e adornar nossa alma, cujo destino é o Pai Eterno.

A observação do bispo calou profundamente no coração da bailarina, cujo nome era Margarida. Algum tempo depois, arrependida sinceramente da vida que levava, ela escreveu ao bispo: “Ao santo discípulo de Jesus: Ouvi dizer que teu Deus desceu do céu à terra para salvação dos homens. Ele não se recusou a falar com a mulher pecadora. Se sois discípulo dele, ouve meu apelo. Não me negues o bem e o consolo de ouvir tua palavra para poder achar graça, por tua intercessão, em Jesus Cristo, nosso salvador.”

O bispo a entregou a uma senhora, que a preparou para o batismo. Depois de batizada, trocou suas ricas roupas por uma túnica de penitente. Deixou Antioquia e foi a pé para Jerusalém, indo viver como eremita em uma gruta no Monte das Oliveiras. Suas vestes não mais a apresentavam como mulher. Ela procurou ocultar sua beleza para não perturbar os demais eremitas que ali viviam. Mudou seu nome, dizendo chamar-se Pelágio. E como Pelágio ela viveu o resto de sua vida, tendo morrido no dia 8 de outubro de 468. Segundo o costume da época, despiram o corpo para ungi-lo com mirra e enterrá-lo. Foi quando descobriram que se tratava de uma mulher. Investigando, descobriram que ela era a bailarina Margarida. Passou a ser lembrada, então, com o nome de Pelágia.

Sua história e seu culto foram muito difundidos no mundo cristão oriental. Ela foi citada por São João Crisótomo, em um sermão. Esses registros relacionados com Santa Pelágia são mesmo muito tênues. Contudo, sua veneração marcou fortemente as tradições orientais nos primeiros séculos.

ILUMINAÇÃO BÍBLICA EM NOSSA VIDA

A vida de Santa Pelágia nos impulsiona para as palavras de Jesus, dirigidas ao jovem rico que o procurou, conforme Marcos 10, 21: “Só te falta uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”.

Santa Pelagia, ao mudar radicalmente sua vida, tornou-se para nós exemplo de que podemos e devemos encontrar a ordem dos verdadeiros valores, que geralmente ficam obscurecidos pela ganância na busca de bens materiais. Lembremo-nos de Lucas 12, 32-34: “Não tenhais medo, pequeno rebanho, porque o Pai achou por bem dar-vos o Reino. Vendei vossos bens e dai de esmola; fazei-vos bolsas que não se gastem, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça corrói; porque onde estiver vosso tesouro, aí estará também vosso coração.”

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