São Bruno – 06/10

CONTEXTO HISTÓRICO

Realmente, o século XI ficou caracterizado pela quantidade de pessoas que optaram por viver de forma solitária. Uns se afastando, procurando encontrar sentido na vida, e outros lutando pelo poder. Há um certo “comércio de igrejas” administrado por senhores feudais, aos quais se submetem algumas autoridades da Igreja.

Em 1049 Leão IX chega ao poder em Roma. Depois virão Nicolau II, Alexandre II e Gregório VII. Com eles, dois bispos, Pedro Damião e Hugo Cândido, percorrerão a Europa, incansavelmente pregando mudanças. O papa não quer mais e não pode depender dos imperadores germânicos. Esse período da história registrou a convocação da Primeira Cruzada e a Reforma Gregoriana. Aliás, Gregório VII, vencido, morreu no exílio. Ele venceu, sem saber.

O poder germânico dominou nesse tempo. Mas é também da Alemanha que veio o santo de hoje, São Bruno, para viver e testemunhar uma vida de humildade, de privações e de orações.

O SANTO

BrunoBruno era um nobre e rico alemão, que nasceu e cresceu em Colônia, em 1035. De família cristã, ainda jovem se viu atraido para uma vida de oração. A boa condição financeira de seus pais lhe permitiu estudar na França, na escola da diocese de Reims, onde foi ordenado e onde se tornou professor de teologia.

Hugo era bispo da diocese francesa de Grenoble. Ele teve um sonho, em que sete estrelas brilhavam sobre um lugar escuro e deserto. O bispo tinha fama de santidade, o que levou Bruno e outros seis companheiros a irem procurá-lo, em busca de orientação religiosa. Ao chegarem, Hugo associou o sonho que tivera com os sete jovens que estavam diante dele. Ofereceu-lhes, então, desenvolver sua obra em um local deserto, de difícil acesso mesmo, mas contando com seu apoio episcopal.

Era justamente o que eles queriam: um local solitário onde pudessem crescer na espiritualidade através da meditação e da leitura. Essas sete pessoas deram, então, início a uma ordem religiosa, cujos membros são conhecidos hoje como monges Cartuxos, e que tiveram suas regras aprovadas somente em 1176, quando Bruno já havia morrido. Viviam no mais absoluto silêncio.

No ano de 1090 o papa era Urbano II, que fora aluno de Bruno. Ele, então, chama Bruno para ser seu conselheiro. Ele foi apenas para ser obediente ao chamado. Não conseguiu, porém, ficar muito tempo em Roma. Voltou para Grenoble e com autorização do papa para fundar outra casa dos Cartuxos na Calábria, num local conhecido como La Torre, e que hoje se chama Serra de São Bruno, provincia de Vito Valentia.

A Calábria foi elogiada por Bruno “pela suavidade da sua atmosfera e pela planície vasta e risonha, cercada de montanhas, de verdejantes pastos e adornada de flores”. A igreja, único lugar onde os irmãos se encontram para recitar o Ofício divino, é coroada por pequenas casas de dois quartos, um térreo, destinado ao trabalho e outro superior, a morada do monge, onde ele ora e repousa.

Fechado no arco das celas está o cemitério do ermo: amontoados de terra com uma cruz de madeira em cima, na qual não aparece nem o nome do sepultado. “Esta paz que o mundo ignora — escreve ainda o santo — é propícia à alegria do Espírito.”

O Abade de Cluny escreveu o seguinte a respeito de Bruno e seus companheiros: “são os mais pobres entre os monges e habitam cada um uma cela com seu tosco hábito de penitência e quase só comem pão; não comem carne, nem pescado; aos domingos e às quintas comem ovos e queijo; às segundas e sábados ervas e nos outros dias água e pão. Só comem uma vez ao dia, exceto nos dias de festa quando não comem e guardam estrito silêncio, se comunicando através de sinais.”

“O proveito e a alegria que a solidão e o silêncio do ermo trazem a todos os que o amam, só os que tiveram a experiência podem apreciar.” Assim escrevia são Bruno a um amigo, pouco antes de morrer. Bruno adoeceu e veio a falecer em 6 de outubro de 1101. Em 1623, o Papa Gregório XV o declarou santo.

ILUMINAÇÃO BÍBLICA EM NOSSA VIDA

Jó se encontrou com Deus caminhando pela provação, pela penitência. O século XI foi marcado por incertezas, pelo convite a mudança de vida, pela opção de vida solitária também na provação e na penitência. Certamente, tais pessoas quiseram imitar a Cristo em seu sofrimento.

Encontramos no Livro de Isaias 53, 3-4: “Era desprezado, era o refugo da humanidade, homem das dores e habituado à enfermidade; era como pessoa de quem se desvia o rosto, tão desprezível que não fizemos caso dele. No entanto, foi ele que carregou as nossas enfermidades, e tomou sobre si as nossas dores.”

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