São Benedito, o negro – 05/10

CONTEXTO HISTÓRICO

Ano de 1545, dia 13 de dezembro: abre-se oficialmente o Concílio de Trento, que durou 18 anos. A proposta foi acabar com a divisão religiosa causada pela reforma protestante, reformar o povo cristão e libertar os cristãos prisioneiros dos turcos. Discute-se também revelação, justificação pela fé, pecado original e sacramentos.

No meio de tanta controvérsia, de muita discussão, surgirá um santo que vai dar um profundo testemunho de humildade, de mansidão, de obediência, de serviço.

O SANTO

Benedito_NegroBenedito Manasseri nasceu em 1526, na aldeia de São Fratelo, em Messina, na ilha da Sicília, Itália. Seus pais foram Cristoforo e Diana Lancari. Eram cristãos e chegaram à Italia como escravos, vindos da África. Descendiam de negros etíopes ou de mouros do norte da África. Assim, Benedito foi chamado de Benedito, o Preto ou Mouro.

Como seus pais eram muito queridos pelos patrões, quando Benedito nasceu, foram todos alforriados. Benedito foi batizado e recebeu o sobrenome da familia de seu padrinho, Manasseri.

São Benedito é um dos santos mais queridos e populares no Brasil. Devido a sua orígem, era invocado pelos escravos. Mas passou a ser reverenciado por toda a população brasileira, como exemplo de humildade e pobreza. Tornou-se tão especial entre os brasileiros que sua festa passou a ser celebrada em 5 de outubro, por uma especial deferência canônica concedida à CNBB, em 1983. Nos demais paises é lembrado no dia 4 de abril.

Cresceu pastoreando rebanhos e desde pequeno se mostrou religioso e voltado para as coisas de Deus, tanto que seus amigos o chamavam de “nosso santo mouro”. Aos vinte um anos de idade juntou-se aos eremitas da Irmandade de São Francisco de Assis, fundada por Jerônimo Lanza sob a regra franciscana, em Palermo, capital da Sicília. Era exemplo pelo espírito de oração, pela humildade, pela obediência e pela alegria numa vida de extrema penitência.

Era analfabeto e trabalhava na cozinha. Mas vendo nele a sabedoria e o discernimento, seus superiores o tornaram mestre de noviços. Mais tarde ele foi eleito superior do convento. Mas quando o fundador morreu, em 1562, o Papa Paulo IV extinguiu a irmandade, ordenando que todos os integrantes se juntassem à verdadeira Ordem de São Francisco de Assis, pois não queria os eremitas pulverizados em irmandades sob o mesmo nome.

Benedito foi, então, para convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo. Lá continuou com sua humildade, como faxineiro e cozinheiro, ganhando fama de santidade. Morreu em 4 de abril de 1589.

Foi canonizado em 1807, pelo Papa Pio VII. Inicialmente padroeiro de Palermo, tornou-se mais tarde o santo padroeiro de toda a população afro-americana e, especialmente, dos cozinheiros e profissionais da nutrição.

ILUMINAÇÃO BÍBLICA EM NOSSA VIDA

A humildade característica de São Benedito nos lembra o que Jesus disse em Lucas 17, 9-10: “Por acaso fica o senhor devendo algum favor ao escravo pelo fato de este ter feito o que lhe foi mandado? Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo que vos foi mandado, dizei: ‘Somos escravos inúteis. Fizemos apenas o que tínhamos de fazer’”.

Benedito nos lembra também a exortação de São Paulo em Efésios 4, 1-2: “Assim pois, eu, prisioneiro por causa do Senhor, vos exorto a andardes de uma maneira digna da vocação a que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros com caridade”.

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