Santa Teresinha do Menino Jesus – 01/10

CONTEXTO HISTÓRICO

Em 29 de junho de 1868 Pio IX convocou o Concilio Vaticano I. Logo depois do seu início, aconteceu a guerra franco-alemã, em 1870. Pregava-se um Deus distante, sedento de sacrifícios, e de grandes penitências e jejuns. Era o jansenismo.

Surgiram alguns grandes pensadores e escritores católicos: Paul Cladel, CharlesPéguy, Jacques Maritain. A espiritualidade era marcada pela ascese, com inúmeras mortificações. Os diretores espirituais aconselhavam o uso dos cilícios, prática de penitências e jejuns, e incentivavam atos cada vez mais extraordinários.

Mas estava acontecendo uma outra batalha, que desejava a separação da Igreja e do Estado. O clima não era bom: crucifixos foram jogados ao chão, conventos foram saqueados, a Ação Francesa apostou pesadamente na humilhação e no rancor aos católicos. Mas, se de um lado houve a pregação do rancor, de outro surgiu uma santa que iria fazer do amor o centro de sua vida.

A SANTA

Terezinha_Menino_JesusSanta Teresinha do Menino Jesus nasceu em Alençon, França, no dia 2 de janeiro de 1873. Foi batizada com o nome de Maria Francisca Martin. Sua mãe, Azélia Maria Guérin, tinha uma fábrica de rendas e seu pai, Luís José Aloísio Estanislau Martin, era relojoeiro. Com o falecimento de sua mãe, quando ela estava com 4 anos, sua familia foi morar em Lisieux. Desse santo casal nasceram nove filhos. Dois meninos e duas meninas faleceram ainda pequenos. Sobreviveram quatro meninas, e se tornaram religiosas, conforme o desejo da mãe.

Teresa se tornara uma menina tímida, insegura e cheia de escrúpulos. Segundo seu relato, sua mudança de vida aconteceu quando ela estava com 14 anos, no natal de 1896. Ela descobre a solidariedade, passando a se preocupar com a Igreja e a sociedade. Decide entrar para o Carmelo, mas enfrenta forte resistência por parte do bispo. Mas acaba conseguindo, com a bênção do papa Leão XIII, no dia 9 de abril de 1888, quando estava com 15 anos.

No Carmelo ela viveu apenas 9 anos, pois morreu em 19 de outubro de 1897, vítima de tuberculose, aos 24 anos de idade. Em 1925, 28 anos após a sua morte, em Roma, foi canonizada Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. Dois anos após, em 1927 foi declarada a Padroeira das Missões, junto com S. Francisco Xavier. Em 1944 foi declarada padroeira secundária da França e, no centenário de sua morte, no dia 19 de outubro de 1997, foi proclamada, pelo Papa João Paulo II, Doutora da Igreja.

Vivendo tão pouco, e ainda dentro do Carmelo, o que ela fez de extraordinário? Tudo o que ela viveu nós encontramos nas Cartas, Poesias, Orações, Peças de Teatro e nos Manuscritos autobiográficos divididos em A,B e C, redigidos respectivamente em 1895, 1896 e o último em 1897, três meses antes de sua morte.

Somente após sua morte seus escritos se tornaram conhecidos. Ele revelam a grandeza de Santa Terezinha, Mestra da espiritualidade. Para ela, Santidade, Doutrina e Vida são uma coisa só. E ser santo não implica em ser perfeito, isento de erros e defeitos. Ser santo é saber amar, saber acolher, perdoar e sorrir. Santa Teresa demonstrou, com sua vida, que Deus se revela aos simples, dando-lhes sua sabedoria.

Ela escreveu que seu desejo era agir como cavaleiro de cruzada, como padre, como apóstolo. Mas percebeu que o verdadeiro amor é que era a fonte de tudo. Depositou sua vida nesse amor supremo, entregando-se a orações, sacrifícios, provações e imolações. Santificou sua vida vivendo como carmelita, e escreveu registrando a sua vivência. É todo um compêndido de teologia e espiritualidade que percorre a sua vida e os seus escritos. Os teólogos viram nela o retorno à humildade e simplicidade evangélicas.

ILUMINAÇÃO BÍBLICA EM NOSSA VIDA

Santa Teresinha do Menino Jesus, com sua obra e seus escritos, é para todos nós sinal vivo de atendimento ao chamado de Jesus, conforme relato de João 13, 34-35: “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.»

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